O distanciamento emocional nas organizações
Mais do que números isolados, esses indicadores apontam para uma tendência estrutural: o distanciamento emocional entre os gestores das empresas e os demais colaboradores. Em um cenário marcado por transformações aceleradas, novas expectativas profissionais e maior valorização do bem-estar, o engajamento deixou de ser consequência automática do emprego formal. Ele precisa ser construído de forma consistente, contínua e genuína — pelo menos é assim que eu enxergo ao longo da minha carreira.
O que os profissionais realmente buscam hoje
Esse contexto nos convida a uma reflexão profunda sobre como as organizações estão cuidando das pessoas que fazem seus negócios acontecerem. Salários e benefícios continuam sendo relevantes, claro, mas já não são suficientes para garantir pertencimento, motivação e retenção. O profissional de hoje busca propósito, autonomia, escuta ativa e oportunidades reais de desenvolvimento.
O papel do diálogo na construção do engajamento
Na prática, em minha jornada como gestor, aprendi que o engajamento começa pela abertura ao diálogo. Manter as portas abertas para que os colaboradores possam propor melhorias, compartilhar percepções e fazer críticas construtivas é um pilar da cultura da empresa da qual faço parte. Essa postura fortalece a confiança mútua e cria um ambiente no qual as pessoas se sentem respeitadas e ouvidas.
Bem-estar e valorização como pilares culturais
Além disso, buscamos adotar uma política concreta de bem-estar e priorizar a valorização dos papéis exercidos por cada profissional, mais do que a rigidez de cargos e hierarquias.
Resultados que refletem a força da cultura
Os resultados dessas iniciativas se refletem diretamente em indicadores de retenção. Em 2024, alcançamos um índice de 99,71% e, em 2025, mantivemos um patamar igualmente elevado, com 99,57%. Ainda assim, temos plena consciência de que o mundo do trabalho está em constante evolução, o que exige das empresas uma postura permanente de aprendizado e adaptação.
Crescimento interno como estratégia de retenção
Nesse sentido, ampliar as oportunidades internas de crescimento é uma estratégia essencial. Profissionais que enxergam perspectivas claras de desenvolvimento tendem a se sentir mais valorizados, comprometidos e engajados. Por isso, fortalecemos as ações ligadas ao Programa de Desenvolvimento Individual (PDI) e ampliamos o escopo da educação corporativa, com investimentos contínuos em capacitação técnica, comportamental e no desenvolvimento de lideranças.
Engajar é evoluir junto com as pessoas
Acredito que engajar não é apenas reter, mas criar condições para que as pessoas evoluam junto com a organização. Isso passa por atenção genuína à equipe, fortalecimento das relações de confiança, estímulo ao aprendizado contínuo e promoção de um ambiente saudável, seguro e colaborativo.
O papel das empresas neste novo mundo do trabalho
Em um momento em que tantos profissionais consideram mudar de emprego, cabe às empresas refletirem sobre o papel que desejam exercer na vida de seus colaboradores neste novo mundo do trabalho. O engajamento não se impõe - ele se constrói. E essa construção exige escuta, coerência, investimento e, sobretudo, humanidade.
Por Rogério Baldauf, Diretor Superintendente da Schmersal no Brasil. Executivo com 30 anos de experiência em automação e segurança industrial, liderando a expansão da Schmersal na América Latina desde 2007. Especialista em gestão técnica e comercial, foca no desenvolvimento de modelos de negócios inovadores e sustentáveis. Atua na implementação de estratégias de gestão voltadas ao engajamento humano, colaboração e autogestão, visando resultados consistentes através de práticas de ESG e responsabilidade social.



