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23.07.2020

O que dizem as normas sobre dispositivos de intertravamento associados às proteções?

Confira referências normativas e informações que farão a diferença na segurança de máquinas e equipamentos, compartilhadas por Justiniano Vieira Lima Junior, instrutor técnico de segurança da Schmersal.

Os avanços tecnológicos, especialmente na área da eletrônica, proporcionaram o desenvolvimento de
dispositivos de intertravamento com maior confiabilidade quanto à aplicação nas diversas áreas
industriais. A solução atende à principal meta de garantir a segurança nas operações e nas intervenções
humanas nas máquinas, evitando ao máximo os acidentes e as possibilidades de manipulação ou burla.
Mas o que dizem as normas de segurança sobre estes dispositivos? Justiniano Vieira Lima Junior,
instrutor técnico de segurança da Schmersal, compartilha referências normativas e outras informações que
farão a diferença na segurança de máquinas e equipamentos. Aprenda mais sobre este conteúdo técnico e
veja como isso reflete em um melhor ambiente de trabalho.

A utilização dos dispositivos de intertravamento - chaves de segurança, os interruptores de
intertravamento para proteções móveis, como portas basculantes, corrediças ou removíveis - é indicada
após a apreciação de riscos realizada, em princípio, pelo fabricante da máquina, senão pelo proprietário
dela. Eles fazem parte de sistemas de comando relacionados à segurança (SRP/CS) e produzem um sinal
que indica a condição segura de uma proteção física móvel. Estes dispositivos de proteção são utilizados
para indicar e garantir que as proteções estejam posicionadas no local correto em uma máquina ou
equipamento.

A instalação correta deste componente em conjunto com a interface de segurança e os atuadores de saída
atende aos requisitos das Categorias de Segurança (Cat. B, 1, 2, 3 ou 4), dos Níveis de Desempenho PL
(a, b, c, d ou e) e dos Níveis de Integridade de Segurança SIL (1, 2 ou 3), conforme suas respectivas
normas.

Proteções físicas fixas e móveis

Chamadas de carenagem, caixa, tampa, tela, grade, porta etc., as proteções físicas fixas e móveis são
utilizadas para evitar o contato direto e constante com partes perigosas de uma máquina no momento em
que os trabalhadores executam tarefas como a operação normal, a limpeza, o ajuste, a manutenção e
outras atividades que fazem parte dos ciclos de vida de uma máquina.

A seleção destes interruptores de proteção deve ser feita por meio de critérios técnicos, levando em
consideração, principalmente, o tempo da abertura da proteção móvel. Este tempo de abertura deve ser
suficiente para que cessem os movimentos perigosos, reduzindo o risco alto, médio ou baixo de acidentes
na área de perigo da máquina que está sendo protegida.

Existem máquinas cujo mecanismo de funcionamento de partes móveis tem o comando de acionamento e
desacionamento com velocidades de resposta muito pequenas. Nestes casos, o projeto, a construção e a
seleção do dispositivo de intertravamento não precisa de bloqueio e de travamento, mas sim evitar o
acidente e a tentativa de manipulação ou de burla por parte de pessoas mal-intencionadas.

Como dispositivos de intertravamento ajudam a evitar acidentes em máquinas e equipamentos?
Caso um determinado mecanismo de uma máquina tenha movimentos perigosos com origem e sistema de
transmissão com muitos elementos, além de um acúmulo de força e energia muito grande, dificilmente
este sistema poderá ter uma frenagem em um tempo muito curto. Para esses casos, deve ser considerada a
inércia do sistema como um todo e o dispositivo de intertravamento deve permanecer bloqueado e travado
até que o sistema esteja em movimento zero.

Para garantir essa condição é necessário que exista um sistema de segurança que detecte a condição de movimento zero por sensores de pulsos, indicando movimentos residuais ou pelo monitoramento da sequência de fases do motor que gera os movimentos. Este tipo de dispositivo de intertravamento dev bloquear e travar a proteção móvel de modo a impedir o acesso ilegal, em termos de segurança efetiva, e somente liberar a proteção após um monitoramento seguro.

Em termos de seleção do dispositivo de intertravamento, vale considerar ambientes com altos níveis de umidade e que necessitam de um grau de proteção (IP) maior e, eventualmente, com temperaturas também elevadas. Nestes casos, existem dispositivos que atendem às exigências com as devidas certificações e garantias de cada fabricante.

Outra informação importante relacionada quanto à seleção de um dispositivo de intertravamento é o fato de que, caso sejam acionados repentinamente, podem produzir novos perigos. Muitos processos contínuos, como a usinagem com desbaste de uma peça grande em alta velocidade ou um sistema automático de soldagem de precisão, não podem ter uma parada brusca, pois podem gerar outros perigos, tais como o estilhaço devido à quebra da ferramenta de corte e o incêndio ou explosão devido ao superaquecimento de superfícies. Torna-se necessária uma parada controlada para que o sistema se ajuste para permanecer em condição segura. O dispositivo de intertravamento com bloqueio e travamento é requerido.

Existem ainda outras formas de intertravamento que permitem o comando de partida da máquina. Porém, devem ser muito bem analisadas, compreendendo suas exigências por meio da apreciação de riscos e identificando os mecanismos e perigos existentes em cada tipo de máquina.

Entenda melhor cada tipo de dispositivo de intertravamento de acordo com a norma ISO 14119:2013

De acordo com a norma ISO 14119:2013, que trata dos princípios para o projeto e seleção dos dispositivos de intertravamento associados às proteções, existem quatro tipos de dispositivos e são eles:
- Tipo 1. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado mecanicamente com
atuador não codificado. Ex.: dispositivos de intertravamento tipo dobradiça, tipo came linear ou tipo came
rotativo.
- Tipo 2. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado mecanicamente com
atuador codificado. Ex.: interruptores de posição acionados por lingueta (significa que o atuador possui
um formato codificado) e a chave transferível (trapped key).
- Tipo 3. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado sem contato com atuador
não codificado. Ex.: interruptores de proximidade do tipo indutivo, tipo capacitivo, tipo magnético, tipo
ótico e tipo ultrassônico.
- Tipo 4. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado sem contato com atuador
codificado. Ex.: interruptores de posição atuados por campo magnético codificado, atuados por um
transponder (tag) de RFID (Radio-Frequency IDentification) ou atuados por um transponder (tag) ótico.
Os atuadores são codificados de acordo com os níveis possíveis, aos quais os formatos permitem ser
diferenciados em baixo nível (de 1 a 9 níveis disponíveis), médio nível (de 10 a 1.000 níveis disponíveis)
e alto nível (mais de 1.000 níveis disponíveis). Quanto maior o nível de codificação, maior a dificuldade
de burlar o dispositivo.

Conheça as principais referências normativas relacionadas a dispositivos de intertravamento
• ISO 14119:2013 – Safety of machinery - Interlocking devices associated with guards – Principles
for design and selection.
• ISO 14120:2015 – Safety of machinery – Guards – General requirements for the design and
construction of fixed and movable guards.
• ABNT NBR ISO 12100:2013 – Segurança de máquinas - Princípios gerais de projeto -

Apreciação e redução de riscos.
• ABNT NBR ISO 13849-1:2019 – Segurança de máquinas - Partes de sistemas de comando
relacionados com segurança - Parte 1: Princípios gerais de projeto.
• ABNT NBR ISO 13849-2:2019 – Segurança de máquinas - Partes de sistemas de comando
relacionados com segurança - Parte 2: Validação.
• IEC 62061:2012 – Safety of machinery - Functional of safety of safety-related electrical,
electronic and programmable electronic control systems.
• ABNT NBR IEC 60034-5:2009 – Máquinas elétricas girantes – Parte 5: graus de proteção
proporcionados pelo projeto completo de máquinas elétricas girantes (Código IP) – Classificação.

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