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28.02.2018

Mercado

Indústria de bens de capital acelera ritmo de vendas

Depois de amargar sucessivas quedas no faturamento, a indústria de máquinas e equipamentos inicia 2018 com boas expectativas, puxadas pelo agronegócio, licitações públicas e obras de concessões. A Caterpillar, fabricante de máquinas e principal exportadora do setor, investiu mais de R$ 500 milhões nos últimos cinco anos em suas unidades de Piracicaba/SP e a de Campo Largo (PR), já contando com a retomada do setor.

A divisão de construção da John Deere desembolsou em 2016 mais de R$ 80 milhões na produção nacional de tratores de esteira, que começam a ser fabricados em março. A filial brasileira do grupo alemão Schmersal, fornecedora da indústria em geral, também anunciou investimentos em sua expansão fabril. Economistas e representantes do setor apostam num crescimento mais disseminado no consumo de bens de capital, como os da chamada linha amarela - escavadeiras, compressores e gruas -, os do setor de logística, construção civil e infraestrutura, e de bens de consumo.

A receita do setor de bens de capital, que encolheu em 2017, pelo quinto ano consecutivo, tende a dar um salto. "Agora, a expectativa é de um crescimento entre 5% e 10% na receita líquida total das fabricantes", prevê José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Esse incremento, explica, será sustentado pelas exportações e pela recuperação da maior parte dos setores no mercado interno.

"Trabalhamos com a previsão de que parte da retomada começará ainda no segundo semestre, mas com maior projeção a partir de 2019", aposta Odair Renosto, presidente da Caterpillar Brasil, líder mundial na produção de equipamentos nas áreas de construção, mineração, energia e transporte. Segundo Renosto, a Caterpillar já sentiu um aumento no volume de pedidos em carteira para peças para as máquinas em operação nas minas, o que indica que o próximo passo é o crescimento da demanda por novos produtos.

Roberto Marques, diretor da divisão de construção e florestal da John Deere Brasil, diz que as vendas em 2017 fecharam com crescimento próximo a dois dígitos por conta do redirecionamento nas exportações. "Para 2018 a perspectiva é acompanhar, no mínimo, o mesmo crescimento do mercado previsto em 10% e até ultrapassar."

A Schmersal também elevou a sua receita em 10% no ano passado e prevê um crescimento na casa dos 12% em 2018. A empresa decidiu investir na expansão da unidade fabril em Boituva (SP), onde serão aplicados cerca de 3% do faturamento em P&D, segundo Rogério Baldauf, diretor-executivo da Schmersal.

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