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26.12.2017

Profissionais devem tomar medidas para evitar acidentes de trabalho na marcenaria

Para evitar acidentes de trabalho, marceneiros devem usar EPI’s e manipular corretamente equipamentos e maquinários

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil é o quarto País do mundo com mais acidentes de trabalho. Estima-se que, por ano, sejam comunicados mais de 700 mil casos. Apesar de não haver dados de acidentes de trabalho na marcenaria, sabe-se que esse ambiente de trabalho apresenta diversos perigos.

Segundo dados retirados do Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho, projeto do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da OIT, a cada 52 segundos é emitido um comunicado de acidente de trabalho. Desses, é registrado um acidente fatal a cada 3 horas e 51 minutos. Lideram os acidentes: corte/laceração (20,96%), fratura (17,34%), contusão/esmagamento (5,2%), amputação/enucleação (1,03%).

O coordenador de treinamentos e normas técnicas da Schmersal, José Amauri Martins, critica a cultura empresarial de achar que os acidentes de trabalho acontecem somente por falta de cuidado do funcionário. "Ninguém sofre um acidente porque quer, os donos das empresas acham que não é preciso segurança. E, infelizmente, o Brasil não tem a cultura de fabricar equipamentos pensando em não colocar o trabalhador em risco", argumenta Martins.

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Segundo a OIT, em 2016, foram registrados 4,5 mil acidentes de trabalhos fatais no Brasil

Acidentes de trabalho na marcenaria
O instrutor de formação profissional da escola Senai Roberto Simonsen, Igor da Silva Andrade, coloca que se deve tomar medidas para minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e integridade de toda a equipe.

Na marcenaria, os envolvidos estão sujeitos a diferentes riscos ocupacionais. Dentre eles, riscos físico (ruídos e vibração das máquinas), químico (solvente, poeira, gases, etc.) e acidente (contragolpes das peças no ato do corte, armazenamento de material, entre outros). Além disso, há também o risco ergonômico, por conta das posições nas máquinas, esforço e transporte manual.

"A principal norma a seguir é a NR-12, que trata da proteção de máquinas e equipamentos para evitar acidentes de trabalho na marcenaria com as partes móveis e/ou perfurocortantes das máquinas e ferramentas. Assim como a NR-17, que aborda sobre a ergonomia e também deve ser bastante observada", aponta Andrade.

Somando-se a um ambiente perigoso, há a rotina da profissão que faz com que o marceneiro possa se descuidar. Com o tempo, ele pode deixar de fazer o uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPI). Assim como não respeitar o que estipula os fabricantes dos insumos, ferramentas e máquinas.

Hoje em dia, é possível encontrar os acessórios de proteção nas próprias revendas para marcenaria, sempre observando a certificação e o selo do Inmetro dos mesmos. "É importante frisar que, além de usar os EPI's, deve-se ter em conjunto um sistema eficiente de treinamentos", recomenda Andrade.

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O recomendado é conciliar o uso dos EPI's com outras medidas, como conscientização do uso correto dos equipamentos e treinamentos de segurança

Perigo oculto
Além dos riscos envolvendo o processo produtivo e manipulação dos equipamentos da marcenaria, é preciso ficar atento com os riscos de acidentes de natureza química. Por isso a importância do uso de roupas protetoras, luvas e máscaras, para evitar respirar gases e demais impurezas. O recomendado é que a exposição de pó no ambiente de trabalho não ultrapasse 5 mg por metro cúbico.

O instrutor do Senai frisa que o pó de cavaco é uma grave ameaça aos marceneiros. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc) determina que há evidências de carcinogênese (produção de câncer) da serragem para os seres humanos. Além disso, algumas madeiras são mais patógenas (liberam substâncias que causam enfermidades) podendo causar reações alérgicas, transtornos pulmonares e até mesmo intoxicação.

Para evitar esse risco, o empresário da marcenaria deve adotar medidas para eliminar o excesso de serragem produzida. Isso pode ser feito por meio de um sistema de extração local, exaustores, limpeza constante e, durante a manipulação do subtrato, uso de máscaras e roupas específicas.

Principais causas de acidentes de trabalho na marcenaria
– Ato inseguro
– Excesso de autoconfiança
– Falta de capacitação em segurança
– Falta de Equipamentos de Proteção Individual
– Condições de trabalho perigosas
– Pressa

Principais acidentes de trabalho na marcenaria
– Contato direto com os dentes do disco de serra
– Contragolpe das peças no ato do corte
– Ruptura ou projeção das lâminas afiadas da ferramenta de corte
– Rompimento das pastilhas e projeção contra o marceneiro
– Contato das mãos com as lâminas
– Retrocesso da peça que está sendo trabalhada
– Queda da fita fora dos volantes
– Ruptura da fita e projeção da mesma
– Contato com a fita na zona de corte

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